Seu único limite é não querer mais

Você está no lugar errado. Aproveite e divirta-se!

16 Agosto, 2006

Vil metal

Dona Marluce contava as moedinhas de sua última negociata. Ela vendia guarda-chuva na esquina do abrigo onde passava a noite. Tinha sido primeira-bailarina do teatro municipal quando moça. Se casou com o filho de um rico industrial, que ao ser chamado à responsabilidade de dirigir os negócios da família, faliu e sumiu pelo mundo.

Marluce primeiro deu aulas de balé, mas ninguém mais queria aprender balé... Então procurou empregos menos “garbosos”, foi balconista, faxineira, babá e antes de vender guarda-chuvas, trabalhou numa fábrica de panelas como cantineira.

O importante nas profissões de Marluce é que nunca fora demitida. As empresas com as quais se envolvia sempre faliam, sem que ela jamais ocupasse um cargo que pudesse, mesmo que vagamente, imputar-lhe a culpa pelo malogro. Ela se tornara um tipo de cavaleira do apocalipse moderna, pressagiadora da bancarrota e do calote...

Apesar dos infortúnios, se mantinha integra. Certa vez encontrara o marido bêbado e louco, vestindo farrapos e recolhendo latas de refrigerante. Mesmo com o orgulho ferido e duas décadas de pesares, Marluce quis ampará-lo. Não pôde... ele fugiu envergonhado da própria miséria.

Marluce tivera a idéia de vender guarda-chuvas ao perceber que ninguém lembrava de carregá-los. No começo, vendia material de primeira por um preço justo... Mas quem queria apenas fugir da chuva, não se dispunha a pagar muito e aceitava qualquer coisa.

Foi quando ela resolveu se mudar para o abrigo. Vendeu a casa para comprar um contêiner inteiro de guarda-chuvas chineses. Tinha lucro irrisório de pouco mais de 30 centavos. E já estava no sexto carregamento e este seria o último. O governo da China havia mudado as regras de exportação de guarda-chuvas depois de uma onda de falências...

Mas Marluce não se importou. Já fazia um tempo que ela pensava em investir os ganhos no mercado futuro.

Principalmente em ações de petróleo...

1 Comentários:

Anonymous Aluizio Amorim disse...

Glayson,

estou aqui para conhecer o seu blog e agradecer a visita e o comentário que vc deixou lá no meu bloguinho. Já pensou se todos pensassem de forma igual? Caramba, essa vida seria uma chatice só, vc não acha? Então, fico satisfeito que vc foi lá no meu blog, não gostou e explicou as razões. Volte sempre. Seja para criticar negativamente ou, quem sabe, até positivamente. Não costumo responder aos comentários e também não os monitoro. O espaço é democrático. So não vou aceitar, claro, palavras chulas e correlatos.
abs
aluízio amorim
http://oquepensaaluizio.zip.net

6:19 PM  

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